NOTÍCIAS ESTUDO COMPROVA A EFICÁCIA DA ARMADILHAGEM FOTOGRÁFICA NA MONITORIZAÇÃO DO LINCE-IBÉRICO

 

Estudo comprova a eficácia da armadilhagem fotográfica na monitorização do Lince-ibérico

 

A investigação levada a cabo na Serra Morena Oriental revelou que este tipo de metodologia fornece informação suficiente no que diz respeito ao uso do espaço, estrutura e tamanho da população e que deve continuar a ser utilizado, sendo feitas algumas sugestões para garantir uma eficiência elevada continuada no que toca à monitorização de populações estáveis.

 

Filipa Alves (11-08-11)

 

 

A armadilhagem fotográfica, técnica envolve a realização de fotos por máquinas montadas no campo que disparam quando um animal é detectado à sua frente, constitui uma ferramenta muito útil na monitorização de animais silvestres pois é um método não-invasivo que permite o seguimento contínuo de uma população.

 

No caso dos felinos com pelagem manchada, a combinação desta técnica com a identificação individual com base no padrão de manchas, que é específico de cada indivíduo e não se altera com a idade, permite ir mais longe, obtendo informação populacional mais detalhada.

 

Fruto das suas qualidades a armadilhagem fotográfica constitui actualmente a ferramenta mais utilizada no caso do Lince-ibérico para a determinação de parâmetros populacionais básicos, como é o caso da distribuição e tamanho.

 

De forma a potenciar, no futuro, os resultados obtidos recorrendo a esta técnica, uma equipa de investigadores espanhóis comparou os resultados obtidos utilizando diferentes metodologias implementadas ao longo de vários anos de estudo da população de Lince-ibérico da Serra Morena Oriental, bem como a sua evolução ao longo do tempo.

 

Assim, foram colocadas câmaras em locais onde se colocou um isco (urina de lince ou presa viva – pombo e coelho) ou perto de latrinas, zonas onde os animais defecam de forma frequente e que funcionam como sinais de que o território está ocupado.

 

Os resultados e a sua comparação com os obtidos usando técnicas de rádio-seguimento (telemetria) revelaram que a armadilhagem fotográfica permite a caracterização do estatuto da maioria dos animais da população (o sucesso na detecção de indivíduos reprodutores variou entre 67 e 80%) e que a “área em uso” definida como a área utilizada por cada fêmea reprodutora a partir da localização dos seus registos fotográficos, é sugerida como unidade espacial de referência.

 

Globalmente, os autores concluem que a armadilhagem fotográfica constitui uma ferramenta útil na monitorização das populações de lince, disponibilizando informações satisfatórias no que diz respeito ao uso do espaço, a estrutura e tamanho da população.

 

A metodologia de maior sucesso na detecção de linces foi a que recorreu à presa viva, nomeadamente ao coelho. No entanto, há que ter em conta que este método foi perdendo eficácia ao longo dos anos, o que se deve ao facto de os linces aprenderem que a presa que serve de isco está fora do seu alcance, deixando por isso, a certa altura, de responder ao estímulo.

 

Desta forma, na monitorização continuada de uma mesma população estável, ao autores proporem que apenas se use o isco de presa viva no fim de campanhas intensivas de amostragem, e com colocação em apenas um local.

 

Pelo contrário, a colocação de câmaras perto de latrinas, por basear-se num comportamento da espécie (marcação territorial), é a técnica que compensa mais em termos de custo-benefício.

 

Baseados nestes e noutros resultados, os autores do artigo sugerem que, para a monitorização de populações estáveis, se deve optar uma combinação das diferentes metodologias que, uma vez que também apresentam taxas de sucesso distintas consoante a faixa etária dos linces, devem ser usadas em diferentes momentos.

 

Por outro lado, é recomendado que, ao longo da monitorização, se deve ir testando a eficácia das metodologias em uso através do uso de indicadores de eficiência.

 

O artigo em causa vai ser publicado na edição especial da revista Wildlife Biology in Practice, encontrando-se já disponível para os utilizadores registados uma versão preliminar.

 

 

Fonte: socpvs.org